27.1.09

um trabalho braçal



dando continuidade à pauta H.Q. , resolvi homenagear mestres como Suehiro Maruo ( ver post anterior ), Shintaro Kago, Seiichi Hayashi entre tantos, desenhando uma cena que aborda o submundo das satisfações grotescas do Eroguro. À quem possa interessar, utilizei para o lay-out ( lápis ) grafite Faber Castel 0.5 , nanquim Higgins e pincéis Tigre pelo de marta 181/2 e 6 para a arte-final . Os tons de cinza ficaram por conta da " photoshopeira véia ". Na verdade, minha relação com horror nos quadrinhos remonta aos idos anos 80 na companhia da revista Kripta e da Mestres do Terror de Rodolfo Zalla e Colonesse. Sob influência daquele grafismo estonteante rabisquei minhas primeiras histórias numa dispensa mal-iluminada lá de casa, que eu batizara " Mãe Solteira" produções editoriais. hahaha. O trabalho acima é um reencontro com essas imagens pungentes que me tiravam o sono. Na época rolava uma " caça às bruxas " dos corpos docentes para com os quadrinhos. Minha mãe, então pedagoga puritana ransava : - Já tá denovo
com essas " caveiragens " guri !
.
.
.Sessão Nostalgia
.
.
ainda nos delirantes anos 80 a gurizada ligava a telinha nas tardes ociosas de férias regadas à Toddy e Supercau para ver dali saltar um escatológico Dom Drácula do grande Tesuka na rede Manchete. O vampirão voava e arrancava à la Ozzy Osbourne, a cabeça de duas ou tres ratazanas providenciando para que jorrasse sangue para todo lado. Seu arque inimigo Prof. Van Helsing sofria de hérnia de disco e se mocosava no caixão do príncipe das trevas para
deixar-lhe de souvenir sua deposição intestinal. E olha que eu to falando de um período pré- abertura política.
.
.
.
.
.
P.S. : para todos os efeitos vou restringir as visitas á esse post. Vai que a coroa acesse... horns up !

21.1.09

Encaixotando Suehiro


"sua obra tem beleza demais, uma técnica impecável e tamanha complexidade de idéias que é impossível classificá-lo simplesmente como um pornógrafo talentoso ou um 'gorehound ".
(
Nathan Bennett , jornalista da Dazed e Confused )


Considero inegável que a obra de Suehiro Maruo surja como uma HQ de sondagem psicológica aonde a façanha discursiva subsista na idéia de transversalizar seus limites pictórico-espaciais. Tamanha densidade conflitual das idéias dispostas em sua linguagem “ Gore ” lhe rendeu comparações à Georges Bataille, Marquês de Sade e William Burroughs .Não obstante, acharia prudente uma investigação sobre as inflexões do artista, que fosse capaz de reconhecer sua própria trajetória como um dos vetores decisivos para a compreensão das suas proposições de autor. Anteriormente à toda essa ebulição em torno de si, Suehiro tivera por inúmeras vezes, seus trabalhos descartados pelo mercado editorial dos mangás - que saia de cena - movimenta uma fatia substancial do produto interno Japonês. Acredito na premissa da inadaptabilidade do autor à uma indústria de entretenimento que prime por uma cultura visual " anestésica " e não se interesse por MOSTRAR algo, senão por VENDER algo. É exatamente aí que Suehiro descobre seu nicho. Ao contrastar proporções do grotesco e do fantasmal com uma paleta nada menos que sublime, apresenta-se como alternativa à todo um modus operandi num franco desafio à nossos hábitos perceptivos. Seu mundo é o mundo da satisfação dos desejos em estado selvagem, despojado daquelas operações de controle desempenhadas pelo super-ego¹. Paradoxalmente, o supra-racional e o amoral encontram-se à irromper como fenômeno narrativo sugerindo a representação do desgoverno, das carnificinas e dos genocídios não ficcionais, à passo que a fluidez onírica dos cenários plenos de simbolismos gráficos , aponte para a situação surreal do objeto de arte por onde discursa o inconsciente. No patamar Nietzscheniano, a articulação estabelecida com o universo de Maruo, reside seguramente nos aforismos do filólogo² acerca da obssolescência do homem ( o Eu individual Vs. O Eu social ) . No tocante à cultura pop, livros como “ O Vampiro Que Ri “ e “ Eroguro “ serão provavelmente computados como marco-inaugural do gênero angura³ dentro dos quadrinhos, estando em plena disseminação de seus núcleos de identidade e consumo em países como Alemanha e Estados Unidos .


1. : Ver teoria da Sublimação e Recalque. 2.: Nietzsche era formado em letras. 3.: Termo empregado para designar o mangá underground.

4.12.08





Debaixo deste Ipê
finda a sombra partigiano

da campina serrana
eis que ouve-se o brado
açoreia sem fronteiras
a torrente soberana


no esquinaço gondoleiro
teu solado sinaliza
da vitória
o posto intacto,

pois debaixo deste Ipê
finda a sombra partigiano.

Cris Souza

21.9.08

à exatos doze meses, iniciei uma série de crônicas/ensaios de cujos apontamentos psico-sociais destaco este que tão bem se presta a repensar a condição do ente urbano que ora refletindo ora mimetizando tal boneco de ventríoloco aquilo que hoje se toma por tradição gauchesca, segue inadvertidamente a irresistível tendência rumo ao despojo total da genuinidade desta.

o avestruz irredutível

hoje é 20 de Setembro... de acordo com dados historiográficos este dia foi o... "Precursor da Liberdade" conforme o sublinha o cancioneiro farroupilha. outrossim, ao voltarmo-nos para a prática, percebemos por assim dizer, uma tendência apática que se me permite o ensejo, penso em batizá-la (que me perdoem os ambientalistas ) de "Efeito Avestruz!" Com a cabeça enterrada no solo arenoso da contemporaneidade, aliás postura desconfortável aonde restou-lhe apenas a liberdade do "traseiro ao vento", o "gaucho" ( prefiro sem o acento agudo, soa mais castelhano )- ser mitológico das heranças etnológicas- surge na metrópole como um vulto perdido. como solucionar esse sujeito histórico ? caminhos que levam à um decréscimo do patriarcalismo na estrutura familiar, com o advento da "Mãe Solteira" como um "ente" da família desatomizada, aguardam o desvendamento de antigos códigos, a desconstrução de velhos estereótipos.
.
.

uma linha de sofrimento cruza a querência de "fora à fora" sem que contudo, nosso tecido político dê um passo democrático por mais acanhado que seja! Sonhamos com esse rincão esquecido... o que antes era destinado ao convívio coletivo e solidário virou uma compilação de espaços privados, individualistas. a conquista das metrópoles no ocidente foi marcada por essa tendência. a exposição do caudilho à experiência radical da individualização é o mal estar advindo de sua prática de sobrevivência, de sua insatisfação determinada por ciclos de repetição regulamentados pelo rigor do tempo industrial tão caro às grandes agências de controle social.

.
.

no painel histórico do Rio Grande, a crise da individualização tem sua gênese no temor à mão de obra de substituição, à alta taxa de rotatividade dos quadros funcionais presentes nos colossais investimentos atraídos por atrativos fiscais sem precedentes. mas o ponto não é discutir o grande rombo no orçamento do estado como os 750 milhões que jorraram dos cofres públicos antes da ampliação, não é mesmo General Motors? o grande "fervido" da cultura em que se banha a sociedade industrial ( e que modelo insustentá-vel, tchê! ) abre campo para a falácia ambiciosa sobre a destinação social da grande "corporation"- Gaúcho! Conta Comigo- enquanto no playground hipnótico da pós-modernidade, a piazada trata de acumular relações sociais simuladas no confinamento virtual – Segunda Vida é a cancha reta do declínio do Self. Solidão e tristeza conectadas em rede.... O “profile” como indicador da posição geo-estratégica propícia à novos nichos consumidores.

.

.

nas bocas: - não é a cochilha, mas a metrópole que nos torna um ouriço.

31.8.08

Los lunes al Sol


sobre hiper-realismos e big crounchies¹

a captação pluviométrica indica decréscimo na liquidez orçamentária do objeto audiovisual.provo. foram suficientes módicos US$ 4 milhões para a produção espanhola Los Lunes al Sol trazer à telona a topografia da exclusão que se dilata em escala aritmética durante os 113 minutos de um genuíno cinema de compromisso. atualíssimo. o extraordinário
Fernando Leon² acertou ao convocar o canastrão mais carismático da ibéria - Javier Baldem - para encarnar Santa , uma espécie de entusiasta das plenárias de boteco. após os confrontos dos trabalhadores com a polícia quando do fechamento do estaleiro naval da cidade de Vigo, o drama desse círculo de amigos passa pela obsolessência de suas vidas profissionais ou pelo desencantamento frente à promessas mágicas de crédito bancário. a comoção é lírica no escapismo flutuante de Santa que divaga sobre as grandes oportunidades de uma vida na Austrália.

niilismo

" a questão não é se acreditamos ou não em Deus. a questão é se Deus acredita em nós." metralha um dos franco atiradores de balcão com o olhar perdido na insólita
xanadu³ dos ébrios. entes reais de um cotidiano particularmente familiar, abandonados à uma subserviência satélite num encadeamento impressionante de eventos.aquelas gaivotas portuárias se prestam formidavelmente para descrever a lentidão e o ócio enternecido pelo sol. contemporaneidade e celebração da vida em meio ao congelamento. bom de ser visto antes de ir às urnas.

1.de Big Crounch: fenômeno inverso de Big Bang, aonde ocorre uma implosão do universo gerada pelo rompimento dos limites de espaço.( tentando explicar com as minhas palavras )


2.Fernando Leon de Araona: diretor, produtor e roteirista aplaudido de pé no cine Rampa de Havana. alcançou grande êxito em Princesas seu mais novo trabalho.

3.Xanadú:


"A
place where nobody dared to go,

the love that we came to know
They
call it Xanadu"

Olivia
Newton-John

29.8.08

pshhh! Começou a Favorita


la vien rose, contigo toda a sexta-feira é da paixão.

na semana das notas cifradas, dos padrões ocultos rastreados pelo pentágono num weafer da mirabel, o descarrego deste filho de xangô. eis que, louco para romper o invólucro epitelial meu Self, ( meu sélfe ) pulula saltimbanco os cacurutos da BR-118. pelo acostamento é claro. segunda feira começo. já dei o carimbão no contratão. tem mais volta é não. a culpada disso é tu neném, que me convida a cruzar a fronteira sertânica para o " amar pode dar certo affair christian & ralf or die ". trevo da sorte . cover up das cagadas que dei nessa vida. tinha que ver, parecia a novela gráfica do Grampá, a Mesmo Delivery. comendo o pó da estrada as Scannias sorriam sinais de luz enquanto o trucker talk corria solto nas minhas sinapses. I'da rufo... cara, loco pra ler esse trem. salvei um preview do pdf da MESMO em inglês lançada primeiramente lá na San Diego Comic Con.
.
.
.
.
.
.
.
finde da pré-estréia do Ainda Orangotangos. tenho que descolar "algum" nem que seja só para o ingresso e o café. mundo, mundo... por que não posso te-lo? Old Bart surge em minhas têmporas com seu plano infalível para rapar um "pato-que-ronca" deitado sobre jornais nos saguões de Time Square.
.
.
.
.
.
.
esse Burroughs...... re-terminei. aliás, o único que se salvou durante o último mini-inventário.
.
.
.
.
.
.
sem retaliações textuais ao burlesco midiático-eleitoreiro. sem saco.por que hoje é Sexta. já preparei um almoço pra galera - o que me instaurou uma indiferente tranquilidade- ( através dos apesares ) isso ainda vai virar bordão. na tv, a voz da Manoela parece chiado de boneca-que-chora com as pilhas fracas e riscada de canetinha com naris entupido. ainda assim baby, pasme, isso é infinitamente melhor que a patética interpretação da Cláudia Raia na novela. parece aquelas coisas que ela fazia na época da TV Pirata.

P.S. - foi mal aí Manú, tu és a menos pior parece. abraço pros mano, pras mina.pra xuxa.pra xaxa.

No alto: " dona das minhas vontades "

26.8.08

Upai-vos ó Vítima da Fome

2006. caio inadvertidamente como que por um encanto nos domínios da blogosfera que por sinal, comporta a viabilidade potencial sim, de se produzir discussão - o que já constitui um caminho estratégico para qualquer transformação que se almeja realizar.

pessoalmente, vislumbro um campo de florescimento dessas latências à princípio, na atividade intelectual que estrategicamente se possa desempenhar lançando mão dos multimeios digitais, das plataformas de relacionamento e compartilhamento. o que hoje se compreende por cyberativismo, paradoxalmente torna " virtualmente impotente" e abstrato as iniciativas físicas que não estabelecerem uma conexão permanente com o fluxo livre de informação que a revolução da internet está sendo capaz de prover.

fenômenos como os flash mobs dão a receita de como se juntar gente para ações possíveis, sejam culturais ou políticas, por que não? à despeito das grandes corporações de entretenimento por exemplo, que "enfrentam" atualmente todo um complexo esquema de adequação ao irremediável sistema de P2P ( per to per ) de distribuição e trocas do produto cultural. aí também incluem-se todos os demais vetores que ocilam na órbita do que se compreende por internet 2.0. são as ferramentas de que dispomos. e se você ainda tiver dúvida, pensemos em todos os conflitos e incidentes internacionais da última década que, pára além de todos os bombardeios genocidas representaram igualmente uma guerra paralela, não menos atroz: - A GUERRA DA INFORMAÇÃO - através da qual se disputava a conquista da opnião pública, do consentimento dos contribuintes dos fiscos que financiam as guerras, tão caros à encenação magistral de uma democracia representativa que se imagine sustentável. são as CNN's Vs. All Jazira's da vida ou a manipulação midiática durante a desarticulação de uma Iugoslávia que desmoronava em massacres étnicos orquestrados diante à caridade ocidentalizada da comunidade européia. a herança do socialismo antepassado quer utópico ou científico gerou acúmulo de experiências significativas ao pleitear o controle operário dos meios de produção, apesar de sua suposta derrota histórica. se por (des) ventura, perdermos para as majors, para os conglomerados e para as mega-fusões corporativas o direito de protagonizar essas importantes mudanças operacionais que partindo da rede, estão determinando a configuração do tecido comercial ( e, social- político talvez ? ) aí sim, aí poderemos lamentar uníssonos em melancólicos soluços, o fim das utopias. no epílogo da história tinha um hiperlink .foi bom pra você, Fukuyama* ?

* Francis Fukuyama: Teórico nipo-estadunidense e principal ideólogo do Neoconservadorismo, autor de " O Fim da História e o Último Homem ".