4.12.08





Debaixo deste Ipê
finda a sombra partigiano

da campina serrana
eis que ouve-se o brado
açoreia sem fronteiras
a torrente soberana


no esquinaço gondoleiro
teu solado sinaliza
da vitória
o posto intacto,

pois debaixo deste Ipê
finda a sombra partigiano.

Cris Souza

21.9.08

à exatos doze meses, iniciei uma série de crônicas/ensaios de cujos apontamentos psico-sociais destaco este que tão bem se presta a repensar a condição do ente urbano que ora refletindo ora mimetizando tal boneco de ventríoloco aquilo que hoje se toma por tradição gauchesca, segue inadvertidamente a irresistível tendência rumo ao despojo total da genuinidade desta.

o avestruz irredutível

hoje é 20 de Setembro... de acordo com dados historiográficos este dia foi o... "Precursor da Liberdade" conforme o sublinha o cancioneiro farroupilha. outrossim, ao voltarmo-nos para a prática, percebemos por assim dizer, uma tendência apática que se me permite o ensejo, penso em batizá-la (que me perdoem os ambientalistas ) de "Efeito Avestruz!" Com a cabeça enterrada no solo arenoso da contemporaneidade, aliás postura desconfortável aonde restou-lhe apenas a liberdade do "traseiro ao vento", o "gaucho" ( prefiro sem o acento agudo, soa mais castelhano )- ser mitológico das heranças etnológicas- surge na metrópole como um vulto perdido. como solucionar esse sujeito histórico ? caminhos que levam à um decréscimo do patriarcalismo na estrutura familiar, com o advento da "Mãe Solteira" como um "ente" da família desatomizada, aguardam o desvendamento de antigos códigos, a desconstrução de velhos estereótipos.
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uma linha de sofrimento cruza a querência de "fora à fora" sem que contudo, nosso tecido político dê um passo democrático por mais acanhado que seja! Sonhamos com esse rincão esquecido... o que antes era destinado ao convívio coletivo e solidário virou uma compilação de espaços privados, individualistas. a conquista das metrópoles no ocidente foi marcada por essa tendência. a exposição do caudilho à experiência radical da individualização é o mal estar advindo de sua prática de sobrevivência, de sua insatisfação determinada por ciclos de repetição regulamentados pelo rigor do tempo industrial tão caro às grandes agências de controle social.

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no painel histórico do Rio Grande, a crise da individualização tem sua gênese no temor à mão de obra de substituição, à alta taxa de rotatividade dos quadros funcionais presentes nos colossais investimentos atraídos por atrativos fiscais sem precedentes. mas o ponto não é discutir o grande rombo no orçamento do estado como os 750 milhões que jorraram dos cofres públicos antes da ampliação, não é mesmo General Motors? o grande "fervido" da cultura em que se banha a sociedade industrial ( e que modelo insustentá-vel, tchê! ) abre campo para a falácia ambiciosa sobre a destinação social da grande "corporation"- Gaúcho! Conta Comigo- enquanto no playground hipnótico da pós-modernidade, a piazada trata de acumular relações sociais simuladas no confinamento virtual – Segunda Vida é a cancha reta do declínio do Self. Solidão e tristeza conectadas em rede.... O “profile” como indicador da posição geo-estratégica propícia à novos nichos consumidores.

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nas bocas: - não é a cochilha, mas a metrópole que nos torna um ouriço.

31.8.08

Los lunes al Sol


sobre hiper-realismos e big crounchies¹

a captação pluviométrica indica decréscimo na liquidez orçamentária do objeto audiovisual.provo. foram suficientes módicos US$ 4 milhões para a produção espanhola Los Lunes al Sol trazer à telona a topografia da exclusão que se dilata em escala aritmética durante os 113 minutos de um genuíno cinema de compromisso. atualíssimo. o extraordinário
Fernando Leon² acertou ao convocar o canastrão mais carismático da ibéria - Javier Baldem - para encarnar Santa , uma espécie de entusiasta das plenárias de boteco. após os confrontos dos trabalhadores com a polícia quando do fechamento do estaleiro naval da cidade de Vigo, o drama desse círculo de amigos passa pela obsolessência de suas vidas profissionais ou pelo desencantamento frente à promessas mágicas de crédito bancário. a comoção é lírica no escapismo flutuante de Santa que divaga sobre as grandes oportunidades de uma vida na Austrália.

niilismo

" a questão não é se acreditamos ou não em Deus. a questão é se Deus acredita em nós." metralha um dos franco atiradores de balcão com o olhar perdido na insólita
xanadu³ dos ébrios. entes reais de um cotidiano particularmente familiar, abandonados à uma subserviência satélite num encadeamento impressionante de eventos.aquelas gaivotas portuárias se prestam formidavelmente para descrever a lentidão e o ócio enternecido pelo sol. contemporaneidade e celebração da vida em meio ao congelamento. bom de ser visto antes de ir às urnas.

1.de Big Crounch: fenômeno inverso de Big Bang, aonde ocorre uma implosão do universo gerada pelo rompimento dos limites de espaço.( tentando explicar com as minhas palavras )


2.Fernando Leon de Araona: diretor, produtor e roteirista aplaudido de pé no cine Rampa de Havana. alcançou grande êxito em Princesas seu mais novo trabalho.

3.Xanadú:


"A
place where nobody dared to go,

the love that we came to know
They
call it Xanadu"

Olivia
Newton-John

29.8.08

pshhh! Começou a Favorita


la vien rose, contigo toda a sexta-feira é da paixão.

na semana das notas cifradas, dos padrões ocultos rastreados pelo pentágono num weafer da mirabel, o descarrego deste filho de xangô. eis que, louco para romper o invólucro epitelial meu Self, ( meu sélfe ) pulula saltimbanco os cacurutos da BR-118. pelo acostamento é claro. segunda feira começo. já dei o carimbão no contratão. tem mais volta é não. a culpada disso é tu neném, que me convida a cruzar a fronteira sertânica para o " amar pode dar certo affair christian & ralf or die ". trevo da sorte . cover up das cagadas que dei nessa vida. tinha que ver, parecia a novela gráfica do Grampá, a Mesmo Delivery. comendo o pó da estrada as Scannias sorriam sinais de luz enquanto o trucker talk corria solto nas minhas sinapses. I'da rufo... cara, loco pra ler esse trem. salvei um preview do pdf da MESMO em inglês lançada primeiramente lá na San Diego Comic Con.
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finde da pré-estréia do Ainda Orangotangos. tenho que descolar "algum" nem que seja só para o ingresso e o café. mundo, mundo... por que não posso te-lo? Old Bart surge em minhas têmporas com seu plano infalível para rapar um "pato-que-ronca" deitado sobre jornais nos saguões de Time Square.
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esse Burroughs...... re-terminei. aliás, o único que se salvou durante o último mini-inventário.
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sem retaliações textuais ao burlesco midiático-eleitoreiro. sem saco.por que hoje é Sexta. já preparei um almoço pra galera - o que me instaurou uma indiferente tranquilidade- ( através dos apesares ) isso ainda vai virar bordão. na tv, a voz da Manoela parece chiado de boneca-que-chora com as pilhas fracas e riscada de canetinha com naris entupido. ainda assim baby, pasme, isso é infinitamente melhor que a patética interpretação da Cláudia Raia na novela. parece aquelas coisas que ela fazia na época da TV Pirata.

P.S. - foi mal aí Manú, tu és a menos pior parece. abraço pros mano, pras mina.pra xuxa.pra xaxa.

No alto: " dona das minhas vontades "

26.8.08

Upai-vos ó Vítima da Fome

2006. caio inadvertidamente como que por um encanto nos domínios da blogosfera que por sinal, comporta a viabilidade potencial sim, de se produzir discussão - o que já constitui um caminho estratégico para qualquer transformação que se almeja realizar.

pessoalmente, vislumbro um campo de florescimento dessas latências à princípio, na atividade intelectual que estrategicamente se possa desempenhar lançando mão dos multimeios digitais, das plataformas de relacionamento e compartilhamento. o que hoje se compreende por cyberativismo, paradoxalmente torna " virtualmente impotente" e abstrato as iniciativas físicas que não estabelecerem uma conexão permanente com o fluxo livre de informação que a revolução da internet está sendo capaz de prover.

fenômenos como os flash mobs dão a receita de como se juntar gente para ações possíveis, sejam culturais ou políticas, por que não? à despeito das grandes corporações de entretenimento por exemplo, que "enfrentam" atualmente todo um complexo esquema de adequação ao irremediável sistema de P2P ( per to per ) de distribuição e trocas do produto cultural. aí também incluem-se todos os demais vetores que ocilam na órbita do que se compreende por internet 2.0. são as ferramentas de que dispomos. e se você ainda tiver dúvida, pensemos em todos os conflitos e incidentes internacionais da última década que, pára além de todos os bombardeios genocidas representaram igualmente uma guerra paralela, não menos atroz: - A GUERRA DA INFORMAÇÃO - através da qual se disputava a conquista da opnião pública, do consentimento dos contribuintes dos fiscos que financiam as guerras, tão caros à encenação magistral de uma democracia representativa que se imagine sustentável. são as CNN's Vs. All Jazira's da vida ou a manipulação midiática durante a desarticulação de uma Iugoslávia que desmoronava em massacres étnicos orquestrados diante à caridade ocidentalizada da comunidade européia. a herança do socialismo antepassado quer utópico ou científico gerou acúmulo de experiências significativas ao pleitear o controle operário dos meios de produção, apesar de sua suposta derrota histórica. se por (des) ventura, perdermos para as majors, para os conglomerados e para as mega-fusões corporativas o direito de protagonizar essas importantes mudanças operacionais que partindo da rede, estão determinando a configuração do tecido comercial ( e, social- político talvez ? ) aí sim, aí poderemos lamentar uníssonos em melancólicos soluços, o fim das utopias. no epílogo da história tinha um hiperlink .foi bom pra você, Fukuyama* ?

* Francis Fukuyama: Teórico nipo-estadunidense e principal ideólogo do Neoconservadorismo, autor de " O Fim da História e o Último Homem ".

23.8.08

Os Mexericos de Bérégovoy *



A torrente do imaginário vez por outra seca. A gente olha pro notepad em branco e simula toques no ar a fim de expremer um carctere que preste. Hora perfeita pra criticar a obra alheia. Pensando nisso, me esforço em vislumbrar o que as letras " Pós-Paulocoelhianas" reservam para os simulacros vindouros. Se há uma constante cinética no "fazer literário" deste século é que ele pula de um folhetim para outro. O formato editorial que estandardizou as letras no passado, com a fórmula de revelar o Brasil desconhecido e gerou -é verdade - cronistas formidavelmente reacionários através e apesar da genialidade de sua obra. To falando do Nelsão mesmo. Desde o começo do século passado apoiava-se na equação [ Ascensão Social através do casamento + Colaboração entre Classes= Pedro Coragem montado sobre Heleninha Roitman à galopar o Asfalto Selvagem]. Final feliz e justiça social para o imaginário público no país do futebol. O formato condicionou e condiciona o estilo seja em byte ou celulose, o blog de hoje foi o folhetim de ontem. A senha chama-se "auto-referência" . O cinema nacional recente, vive disso. Meu Nome Não é Johnny, A Festa da Menina Morta, Nome próprio...

Em recente entrevista Clarah Averbuk(owski) , declara que Nome Próprio ( filme do Murilo Salles que premiou Leandra Leal no último Festival de Cinema de Gramado ) não é em absoluto, sua cinebiografia adaptada. "-Blog não é gênero literário". Desconstruía categórica a autora hypada de Máquina de Pinball diante dos microfones-endoscópicos na telinha aqui de casa. Pessoalmente, penso ser perfeitamente discutível a probabilidade dos "multimeios" apresentarem uma conexão plausível enquanto espaço real dessas transformações na literatura. Mas daí negar que a blogosfera há de definir os padrões de consumo literário doravante é que são elas.

P.S. e olha que este que vos escreve é resoluto fã dos Henrys sejam Miller ou Chinaski's.

"Eu te vejo sumir por aí

Te avisei que a cidade era um vão

Dá tua mão, olha pra mim

Não faz assim, não vá lá, não

Os letreiros a te colorir

Embaraçam a minha visão

Eu te vi suspirar de aflição

E sair da sessão frouxa de rir

Já te vejo brincando gostando de ser

Tua sombra se multiplicar

Nos teus olhos também posso ver

As vitrinas te vendo passar

Na galeria, cada clarão

É como um dia depois de outro dia

Abrindo o salão

Passas em exposição

Passas sem ver teu vigia

Catando a poesia

que entornas no chão"

( Chico Buarque )

* Piérre Bérégovoy, ex-chefe do Governo Francês que se suicidou em 1993.

No alto: Heleninha Roitman recebe Exú-mirim em Vale Tudo.

O Simulacro Nosso de Cada Dia

A fim de evitar os maldizeres da mestra Glorinha Kahlil... compartilho do ranso de Noam Chomsky, rechaçando o cogito discursivo instaurado e perpretado pela intelectuália do mundo... ) Se por um lado esse "rigor", esse "estilo" funciona como indicador de hiererquia, subjugando o leitor mais singelo ao caráter institucional da " autoridade intelectual ", por outro, gosto de pensar na linguagem como ferramenta "informe" e sensorial, isenta de critérios de julgamentos unânimes e constantes. Enfim, a bandeja de apresentação e o antepasto textual da idéia-essência. No curso da história, o "gostus" surge como um fluido amorfo determinado mais pelo recepiente dos paradigmas ou qualquer outra porcaria que o valha! Mas exatamente no contexto da sociedade de produção de bens de consumo, estamos impelidos a conceber as formas, uma vez que estas apresentem uma função. É a ditadura da noção de Utilidade.

Não obstante, há vetores ornamentais que demandam maior discussão. Temei ó Jerusalém à amplitude da busca da realização sintético-virtual!

Se a hegemonia desse comportamento do "Culto ao Corpo" significar uma simulação da auto-afirmação de um patrimônio ambulante na relação ter/poder , podemos dilatar esse pensamento para o Metaverso- ( ver “Second Life”, “ Orkut” e afins ) aonde não há limite para a simulação que sejam formais ou éticos. Podemos nos transformar sem dor. A velocidade com que eu aumento meu bíceps, camuflo imperfeições ( de caráter ou estéticas ), me formo advogado, Califa do Petróleo ou astro pornô é infinitamente maior. Enfim, a possibilidade virtual como um desdobramento da mesma lógica.


Felizmente ou infelizmente ainda não podemos ser o Flávio Tavares, o Joe Sacco ou o Lars Von Trier, pois ainda não é possível extrangular a subjetividade da vivência dentro de um bit de computador. O que não significa que estamos longe disso.